Pets podem ajudar pessoas com ansiedade, autismo e depressão

Ter um pet muda nossas vidas para melhor em vários aspectos: eles podem alegrar as casas, nos tornar mais ativos, ser uma companhia gostosa nos momentos solitários… E é por isso que todo tutor apaixonado por seu bichinho sabe que, em épocas difíceis, o maior conforto pode vir dos animais de estimação (alguns até arriscam dizer que eles podem sentir quando as coisas não vão bem!). 

Por nos trazerem tanto bem-estar, o auxílio dos pets pode ser procurado em momentos de depressão, ataques de fobia ou crises de pânico. E assim, para crianças com autismo, pessoas com deficiência ou idosos em casas de repouso, o carinho ou companhia de cães, gatos, coelhos e outras espécies de animais podem fazer toda diferença!

Foi essa noção que alavancou o desenvolvimento da terapia assistida por animais (ou TAA). Também conhecida como “pet-terapia” e “zooterapia”, ela é uma intervenção alternativa que conta com o auxílio e sensibilidade dos nossos amigos animais no desenvolvimento físico, psíquico e social de diferentes tipos de pacientes. E seus resultados podem muito positivos, o que impulsionou sua popularidade mundo afora, em países como EUA, Portugal e Espanha! Mas afinal, como os pets estão fazendo a diferença na psicologia e na medicina?

 

 

Como funciona a TAA

 

O método funciona como um complemento aos tratamentos tradicionais de diversas doenças e deficiências mentais e motoras. Geralmente, os cães são os queridinhos na TAA (mas nem sempre!); os mais comuns são labradores e golden retrievers, que tendem a ser mais dóceis e fáceis de treinar. Mesmo assim, vários bichinhos podem ser utilizados, cada um com a sua sensibilidade e amor especiais. 

Os “terapeutas caninos” não atuam sozinhos, é claro! São acompanhados por equipes que podem incluir veterinários, psicólogos, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e assistentes sociais. Eles também não são adotados pelas pessoas que recebem o tratamento: moram com seus donos, trazendo regularmente (a cada semana ou quinzena) toda a sua alegria e carinho para pacientes em hospitais, casas de repouso e abrigos. O processo é supervisionado por ONGs ou empresas especializadas.

Os cães de assistência mais conhecidos são os cães-guia, treinados para auxiliar pessoas com deficiência visual a conquistarem mais mobilidade e independência. Mas a TAA também acolhe outras condições.

 

Os pacientes da TAA

 

Pessoas com autismo

A ciência ainda não decifrou o autismo completamente, mas ter um amigo canino pode fazer muita diferença na qualidade de vida de uma pessoa autista. Dependendo da intensidade a síndrome afeta a capacidade de comunicação, interação e comportamento, e pode aparecer. No geral, ambientes muito cheios ou barulhentos podem causar muito estresse em um indivíduo com autismo; nesses casos, um cão assistente pode fazer toda diferença: a relação com o animal costuma ser marcada por confiança – assim, o bichinho pode ajudar o paciente a se acalmar em possíveis situações estressantes e contribuindo para a diminuição de ansiedade. Os amigos peludos são tão sensíveis e leais que podem até defender ou tranquilizar o dono quando ele se sente desprotegido, sempre fazendo companhia. Veja o caso da jovem Hayley, que foi acalmada por seu pet, Marley, enquanto tinha uma crise de pânico:

 

Vídeo: https://youtu.be/PeWFQRAwptw

 

Além disso, especialistas notaram, durante os tratamentos, que os melhores amigos do homem podem estimular vínculos afetivos em crianças autistas, as ajudando a se comunicar e se aproximar dos familiares.

 

Outros pacientes 

O tratamento com pets traz muitos benefícios psicológicos: segundo estudos, além do autismo, a sensibilidade e apoio dos nossos leais parceiros pode ajudar em problemas como esquizofrenia, psicoses, paralisia cerebral, distúrbios de atenção e aprendizagem, depressão e luto. E tem mais: até um simples carinho nos bichinhos é capaz de promover uma descarga de neurotransmissores ligados ao bem-estar, elevando níveis de serotonina e dopamina ou diminuindo a pressão arterial e a frequência cardíaca. Assim, você e ele ficam felizes!

Os animais assistentes também podem ser aliados dos fisioterapeutas: cães mais passivos, por exemplo, costumam ser uma excelente ajuda para os mais idosos, que se exercitam ao fazer massagens nos peludos. Além dos asilos e casas de repouso, os bichinhos podem ser utilizados em tratamentos para diferentes tipos de câncer: as crianças, em especial, adoram receber visitas para brincar – e eles adoram o carinho e atenção!

Como os animais são selecionados para a TAA

 

Apesar de todos terem amor para dar, não é qualquer bichinho que pode atuar numa terapia. Aliás, o processo seletivo pode ser extenso! Tudo conta: idade do animal (ele não pode ser muito idoso), exames clínicos (para identificar zoonoses, problemas dermatológicos e ortopédicos) e laboratoriais (incluindo estudo parasitológico das fezes e hemograma), testes comportamentais (analisando reações a comportamentos agressivos e amigáveis)… Além disso, a reação do animal na presença de outros bichos ou grupos grandes de pessoas é avaliada. Todos esses procedimentos são feitos para certificar que o tratamento seja benéfico para o paciente e seguro para o pet.

Uma vez selecionados, o cuidado de um pet terapeuta é simples: vacinas em dia, controle de parasitas, visitas ao veterinário… Após o processo seletivo, é realizado um adestramento básico, para se acostumarem a diferentes situações e responderem aos comandos. Diferentes animais irão realizar diferentes tipos de tratamento, dos que requerem comportamentos mais agitados até os mais passivos. Existem mais regras: cães assistentes devem ser castrados, e não podem interagir com outros cães na rua.

Em alguns lugares, há restrições específicas: em São Paulo, por exemplo, cães enquadrados na lei da mordaça (obrigados a usar focinheira) não podem ser utilizados. Mas, infelizmente, a TAA ainda não é uma prática comum no Brasil: ela chegou por aqui nos anos 90, mas ainda não foi incorporada na maior parte das instituições de saúde.

Terapeutas ou não, nossos pets são muito sensíveis ao nosso bem-estar, e podem trazer diversos benefícios à nossa saúde: desde estimular que sejamos mais ativos, até fazer companhia em momentos difíceis – e é isso que a TAA mostra. A lição é clara: os animais, nossos leais amigos, nos fazem mais felizes. Afinal, quem não se derrete com um ronronar ou uma festinha?

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