Gatos e independência: será que eles são menos carinhosos mesmo?

Quando o assunto é gatos, é comum escutarmos sobre sua natureza independente: como se limpam sozinhos, não precisam de atenção constante e, no geral, têm um temperamento neutro. Para muitos, inclusive, os pequenos felinos são considerados mais práticos de se ter em casa do que os cães, pelo seu tempo menor de adaptação. 

Mas todo tutor desses peludos também já escutou outra coisa: que eles, por serem mais independentes, também tendem a ser pets menos carinhosos. Será que isso é verdade? Vamos falar mais sobre os gatos e seus comportamentos curiosos para tentar entendê-los melhor!

 

 

Mais carinhosos do que parecem

 

Apesar da fama de indiferentes que os pequenos felinos carregam, a ciência parece discordar da ideia de que não são carinhosos: foi o que um estudo da Universidade de Oregon (EUA) apontou ao testar diversos gatinhos, num experimento que avaliava suas respostas de confiança em relação aos donos.

O teste mostrou que dois terços dos felinos sentem menos estresse e mais calma para explorar ambientes desconhecidos quando estão na presença de seus tutores. A mesma proporção se encontra em bebês e cães, os dois grupos que geralmente participam desse tipo de pesquisa. 

Portanto, é possível concluir que gatos são sim muito afetivos – e, talvez, sejam apenas um pouco incompreendidos, por serem mais independentes que os cães.

 

Então por que os gatos são mais independentes?

Se não tem nada a ver com falta de carinho, o que torna nossos bichanos mais independentes? As respostas podem estar na biologia e na história. 

Diferente dos gatos selvagens, que sempre foram caçadores individuais, os cães evoluíram naturalmente em bando, numa organização hierarquizada – daí vem a sua maior facilidade em aceitar as nossas ordens! Nessa mesma lógica, os pequenos felinos tendem a nos enxergar mais como parceiros iguais. Além disso, hoje temos o conhecimento de que já foram identificados 41 genes ligados à domesticação em nossos amigos caninos – um número expressivo em comparação aos gatos, com apenas 13.

Já historicamente, enquanto a nossa relação com os cães já existe há mais de 50 mil anos, os gatos só passaram a realmente conviver conosco por volta de 8 milênios atrás. Sendo assim, seu processo de domesticação ainda não estaria completo.

Então pode ficar tranquilo, dono(a) de gato! Seu bichano se comporta de um jeito diferente porque a natureza e história dele são totalmente diferentes!

 

 

Entendendo comportamentos típicos de gatos

 

Falando em comportamento felino, muitos hábitos dos gatos ainda não são totalmente compreendidos pela ciência – mas isso não significa que não existam teorias! A Pet Delícia reuniu alguns dos costumes mais curiosos desses bichanos, com as explicações sugeridas pelos especialistas. Confira:

 

“Por que gatos se esfregam nas pessoas?”

É difícil resistir aos nossos bichanos quando eles nos cumprimentam dessa forma charmosa, não é? Mas qual é o sentido desse hábito?

A resposta pode estar está nos grandes felinos, que costumam roçar uns nos outros quando voltam da caça (provavelmente para demonstrar companheirismo). Outra teoria é a de que, nesse contato, nossos gatinhos encontram uma forma de demarcar território, ao espalhar seu cheiro em nós ou em objetos de casa – assim, avisando para os outros que nós somos “dele”.

 

“Por que gatos miam?”

Curiosamente, gatos raramente miam em ambiente selvagem. Na verdade, o miado parece ser um tipo de comunicação criado para a interação conosco, humanos, que transmitimos mensagens através do som (falas). Essa adaptação facilitou o processo de domesticação dos bichanos, que podem miar de um jeitinho único, de acordo com o seu dono. Aliás, estima-se que os pequenos felinos possam emitir cerca de 100 sons diferentes (já os cães, somente 10).

 

“Por que gatos ronronam?”

Ainda não há uma explicação muito clara para o ronronado felino. Aliás, os cientistas também não sabem dizer exatamente como esse barulhinho e vibração que tanto gostamos acontece.

Além disso, os gatos não ronronam somente quando se sentem felizes: esse hábito também pode aparecer em momentos de dor ou doenças, quando o bichinho quer ficar mais tranquilo e confortável. Inclusive, a frequência do ronronado varia entre 20 e 140Hz, que é considerada terapêutica tanto para eles – e para nós também!

 

“Por que gatos dormem tanto? Eles sonham?”

A explicação para o jeito dorminhoco dos nossos peludos pode estar na sua natureza, que é, originalmente, de predador. Esse instinto os leva a salvar energia para a caça; por isso, tendem a dormir de 16 a 18 horas por dia. 

Entretanto, o sono dos gatos é leve durante 70% do tempo (aproximadamente), e seus cochilos podem ser facilmente interrompidos ao primeiro sinal de perigo. Acredita-se que eles possam sonhar nos 30% restantes de sono profundo, até revirando os olhos e mexendo as patinhas!

 

“É verdade que gatos precisam aprender a conviver com os humanos?”

Sim! Esse aprendizado começa no nascimento, e se conclui em aproximadamente 8 semanas. Nesse período, o contato faz toda a diferença: filhotinhos que são mais tocados e manuseados costumam se tornar mais afetuosos e ligados aos seus donos. Já os mais distantes tendem a crescer mais arredios.

 

 

Linguagem corporal: seu gatinho diz mais do que parece!

Miando, ronronando ou se esfregando nas nossas pernas… Os gatos podem se expressar de diversas maneiras! Mas há outras formas de reconhecer suas mensagens, já que muitas delas se mostram na linguagem corporal dos felinos: olhos semicerrados e piscadinhas lentas, por exemplo, demonstram que seu bichano provavelmente se sente confortável e seguro na sua presença. 

Isso também vale para quando ficam de barriga para cima: eles só ficam nessa posição em momentos de completa tranquilidade. Mas, cuidado: diferente dos cachorros – que adoram esfregões na barriga -, gatos não costumam deixar que humanos façam carinho nessa região com tanta facilidade. Então, se o seu felino aceita esse tipo de gesto, é um forte sinal de que ele tem muito afeto por você!

Há outros comportamentos que você pode notar: a cauda para cima ou balançando – muito comum quando nossos pequenos peludos nos recebem – é uma demonstração de felicidade. Já ereta com os pelos arrepiados, ou para baixo, indica ansiedade. Mas esses são apenas alguns exemplos, porque apesar da sua fama de neutralidade, os felinos podem se comunicar de diversas maneiras!

Queridinhos dos humanos há muito tempo, gatos são pets com características únicas e comportamentos específicos. Mas seu jeito independente não os torna menos carinhosos: eles podem ser companheiros incríveis, trazendo muito amor para nossas casas e alegrando nossas vidas. Então, se estiver pensando em arrumar um gatinho, não se preocupe: eles têm afeto de sobra para dar!

 

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